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CANTO DOS EXILADOS
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“Minha terra tem palmeiras onde canta o sabiá...”.
Todo aluno em idade escolar no Brasil conhece a Canção do Exílio, de Gonçalves Dias – que tem como epígrafe, por sua vez, o famoso poema de Johann Wolfgang Goethe, do qual todo alemão sabe recitar pelo menos os dois primeiros versos ("Kennst du das Land, wo die Zitronen blüh'n, im dunkeln Laub die Gold-Orangen glüh'n?...”). Curioso é que Stefan Zweig, o poeta das coincidências, ao escolher a que seria a sua última casa, em Petrópolis, nem se deu conta que ela se situava na rua que porta o nome do famoso poeta do exílio.
Nomen est omen – o nome é um augúrio, diz um antigo ditado romano. Na mesma casa em que os exilados Stefan e Lotte Zweig optaram pela morte, desesperados com o mundo mergulhado em guerra, centenas de cidadãos que dividiram o mesmo destino, obrigados a fugir do nazismo entre 1933 e 1945, serão agora, como eles, lembrados em um Memorial do Exílio.
Convênio com o Zukunftsfonds da Austria
Depois da Argentina, o Brasil foi o país que mais acolheu refugiados. Não se sabe ao certo quantos vieram. Entre 16 mil e 19 mil buscaram uma nova pátria nesta “terra que tem palmeiras”, estimam alguns historiadores. A CASA STEFAN ZWEIG quer homenagear todos eles, destacando aqueles que contribuíram decisivamente para a cultura e ciência. Ao longo dos últimos meses, Jörg Trettler, Hannes Berger e Raffael Stuhlpfarrer, sob o comando do historiador Fabio Koifman, pesquisaram documentos, fotos, recortes de jornal em locais como o Arquivo Nacional do Rio de Janeiro, a Biblioteca Nacional e o Cedoc da FGV.
A seguir, uma primeira lista sem ordem hierárquica ou juízo de valor, que será constantemente ampliada. Cada nome representa uma trajetória de vida, uma saga, multiplicada pelo número de membros da família. Muitos outros serão ainda acrescentados, à medida que o site se amplia.
Como nossa homenagem especial a todos eles, selecionamos um poema do grande autor alemão-judeu Heinrich Heine, com tradução de André Vallias:
Wo?
Wo wird einst des Wandermüden Letzte Ruhestätte sein? Unter Palmen in dem Süden? Unter Linden an dem Rhein?
Werd ich wo in einer Wüste Eingescharrt von fremder Hand? Oder ruh ich an der Küste Eines Meeres in dem Sand?
Immerhin! Mich wird umgeben Gotteshimmel, dort wie hier, Und als Totenlampen schweben Nachts die Sterne über mir.
Onde?
Onde será que o forasteiro Cansado irá saudar a morte? Entre pinheiros, cá no norte, Ou lá no sul, sob os coqueiros?
Vão me jogar desconhecidos Em cova rasa num deserto? Ou vagarei em mar aberto Até bater nos arrecifes?
Que seja! Aqui ou acolá, Há de envolver-me por inteiro A noite escura; um véu de estrelas Azul será a minha mortalha.
in: DHA, Bd. 2 |
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Keller, Wilhelm (Willy)
Adler, Johann Anton
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Ballhausen, Günther
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Choromanski. Michal
Czapski
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Fried, Carl
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Heller, Frederico
Heller, Otto
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Krajcberg, Frans
Krajcberg, Frans
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Wolff, Egon e Frieda
Wöller, Wilhelm
Zach, Jan
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