Deutsch  English
 
   
 

a casa
canto dos exilados
quem somos
notícias
rede sz
participe
postais
livro de visitas

BUSCA
ÍNDICE DE NOTÍCIAS

In memoriam Izabela Kestler


Resenha do livro Stefan Zweig no país do futuro: a biografia de um livro


O giro alemão de Stefan Zweig no país do futuro


A Escola Estadual Stefan Zweig


15 meses decisivos


A Medalha


Resenha: Serpa Pinto, o navio do destino


La chronique


Correspondência Zweig-Lasar Segall


Paixão dilacerante no palco

37 Registros:      1 2 3 4 >  


CONTATO
mail@casastefanzweig.org

caixa postal 50060
20.050-971
Rio de Janeiro/RJ - Brasil

 
NOTÍCIAS

26.11.2008

Stefan Zweig, ponte para a vida


"Tudo começou e acabou rápido demais, o ano era 1975.
Eu sempre tão introvertida, assustada e medrosa, não queria entrar naquele prédio, para mim imenso.

Eram tantas escadas, corredores e salas e a minha irmã, sempre ela a me levar para os lugares apesar de ser apenas três anos mais velha, me dizia: “segue a multidão, onde a multidão for você vai.”, tamanho era o meu medo de me perder e não ter ninguém conhecido por perto.

Enfim comecei, 5ª série, onze anos, e aquele ano prometia grandes mudanças em minha vida. Eu estava estudando numa escola enorme, estava no ginásio.

A escola maravilhosa, os professores, “nossa!” eu tinha um professor para cada matéria, não era como no primário, um professor na sala de aula o tempo todo, ensinando tudo, e eu tinha aula de Francês!.

E os amigos? Vários, uma geração de gente saudável e bonita, os meninos de olhos verdes (raridade olhos verdes naquela época), estudávamos, conversávamos e participávamos.

A 5ª série foi apenas uma ponte para o meu crescimento, eu saia da infância e entrava na pré-adolescência.

A 6ª série é que foi o máximo, eu já era adolescente, as amizades eram mais intensas. O “Stefan”, como a gente chamava a escola era o meu lugar preferido.

Eu estudava à tarde, mas duas vezes por semana tinha aula de Educação Física de manhã, eu ia e ficava o dia todo, minha mãe não gostava, mas sempre tinha um trabalho escolar para fazer.

Parecia que a escola tinha um imã que puxava a gente, era mágico, a vida pulsava de uma forma intensa.

Foram quatro anos marcantes na minha vida, porque a minha vida era a escola, os estudos, os amigos.

O ensino por ser público, estadual, tinha as suas falhas, as suas lacunas, mas acho que tive sorte de ter bons professores, eles eram atentos e dedicados.

Me lembro que tive uma disciplina – Música – não sei bem porque existia essa matéria, ninguém aprendeu a tocar algum instrumento ou cantar, mas aprendíamos algumas coisas ligadas à música, à cultura.

Não posso esquecer do nosso professor de música, “Luigi”, eu não me lembro o sobrenome, acho que ele era italiano, tinha um sotaque diferente,

Era uma figura um tanto excêntrica, mas não posso ignorar que tinha talento: ensaiava a fanfarra da escola pelas ruas com muito empenho e dedicação e compôs um hino, que todos os alunos aprenderam e cantavam, hoje infelizmente esquecido pelas novas gerações.

Não sei por quanto tempo o hino foi cantado na escola, até porque o professor Luigi faleceu poucos anos depois que saí de lá, mas eu e meu irmão que estudava lá na mesma época nunca esquecemos a letra do hino e até hoje cantamos às vezes para horror do meu sobrinho que estudou lá e nunca ouviu falar nesse hino.

Não posso deixar de registrar aqui:


“Stefan Zweig
de amor e carinho
Teu lema é sempre amizade
Juventude, calor, esperança, carinho
Stefan és felicidade
Stefan Zweig contigo crescemos
Prá ter uma vida melhor
Oh! Escola querida tu és nossa vida
Stefan tu és o maior.

Ao saudoso escritor
Que previu com amor
O País do futuro é o Brasil
Nosso muito obrigado
Por ter ensinado
A amar essa terra gentil
Vamos todos cantar
O patrono exaltar
Mocidade alegre estudante
Com virtude e saber
O Brasil há de ser
Um País cada vez mais gigante.”

Temos que reconhecer, ele tinha talento.

Quando me formei, participei da colação de grau, do baile e da missa. Talvez não tenham existido momentos mais mágicos do que esses.

A missa, a colação de grau, o encontro com todos os seus amigos, familiares e professores. Amigos que nós sabíamos que infelizmente iríamos nos separar, pelo ou menos da maioria. O momento era triste, mas era alegre também, era uma etapa vencida de nossas vidas.

E o baile, o vestido branco, o momento de subir no palco, ouvir seu nome no microfone e descer com o padrinho. A valsa com os pais e padrinhos, eu era o centro, eu era personagem daquele momento, era o “meu” baile.

O “Stefan” marcou minha vida de uma forma muito forte, sempre que penso numa fase boa da minha vida é para aqueles anos que me transporto: de 1975 a 1978.

Não sei dizer o que havia ali, talvez nem fosse exatamente o prédio, as aulas, os professores, os alunos, ou quem sabe fosse tudo isso e mais o momento que eu estava vivendo, a fase da minha vida, de mudanças, de aprendizado, de amadurecimento.
Era sim uma escola estadual, mas aprendi muito, foi graças a esse ensino que muitos anos depois pude fazer uma Faculdade. O “Stefan” naquela época não ficou devendo nada e eu sinto muito orgulho de dizer que estudei lá.

Não sei quem e nem quando escolheram esse nome para a nossa escola, mas penso que a escolha foi muito feliz e hoje conhecendo um pouco sobre a vida desse homem, vejo que o nome é muito apropriado, pois “Stefan Zweig” tem tudo a ver com conhecimento, amizade, liberdade, sede de saber, de aprender e de ensinar.

E como diz a letra do nosso hino – “Oh escola querida tu és nossa vida...”, foi sim durante quatro anos que passei lá e hoje é uma lembrança muito feliz em minha vida".

Suely Maria Santiago, São Paulo, 17 de novembro de 2008


Escola Estadual de Ensino Médio Stefan Zweig
Rua Genaro Arilla Arensanz, 225 - Vila Diva – São Paulo - SP.
Cep: 03275-090
Telefones: 0112213-0020 e 2154-4166
Diretor: João Batista Oliveira